segunda-feira, janeiro 30, 2017

"E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu."

Parece que um livro de Valter Hugo Mãe -- autor estimável --, com esta e outras frases, foi considerado apropriado por umas azémolas para ser trabalhado em sala de aula. Eu até posso desconfiar que terá havido quem não passasse das primeiras páginas, posso suspeitar de incompetência. Mas também não me custa a crer na alarvidade de certas criaturas que acham normal que miúdos de treze anos sejam confrontados com esta linguagem. Algumas delas devem até dizer as caralhadas todas à frente dos filhos, ou seja: javardos criados por javardos, que criam javardos, por sua vez. Não admira por isso que o ambiente deste país seja fétido: das tvi's às revistas cor-de-trampa que enxameiam os pontos de venda.

Mas pérola, pérola, é a pergunta dum atraso de vida da TSF a Isabel Alçada, que, justamente, mostra o incómodo com este episódio de barraca: «Questionada pela TSF se esta não é uma posição conservadora», a ex-ministra lá responde, e bem, certamente cheia de paciência e comiseração. Pergunta duplamente estúpida. Em primeiro lugar ,a linguagem que se usa não indica se se é progressista ou conservador. Conheço imensos reaças asneirentos, como progressistas de vocabulário ultrapuritano; ou gente como eu, que diz palavrões com gosto, mas não o faz diante dos filhos ou dos pais. "Hipocrisia", estou já a ouvir alguns. Não; decoro com os mais novos; respeito pelos mais velhos. 
Mas há ainda outro problema na pergunta idiota da TSF, admitindo que ela, pergunta, fosse pertinente e legítima: então quem é 'conservador' tem diminuídos os seus direitos?; só os 'progressistas' (no baço entendimento de quem perguntou) é que têm de ser levados em conta?

4 comentários:

Jaime Santos disse...

Eu, progressista de vocabulário ultra-puritano, assino isto por baixo (tirando a linguagem mais colorida ;-), evidentemente). Ofereceram-me o livro, mas confesso que nunca o li. Agora, se tivesse que decidir da sua adequação para o plano nacional de leitura, certamente que o teria lido, e teria seguidamente mandado fechá-lo no Índex mais sombrio. Por acaso se transmite pornografia nas salas de aula? Acho que isto é mais ou menos a mesma coisa. E nada tenho contra a pornografia, só contra a sua utilização nas escolas...

Ricardo António Alves disse...

Eu cá, fui iniciado na pornografia na escola, mas na clandestinidade, é claro.

Jaime Santos disse...

Pois, eu também, mas há coisas que pertencem à clandestinidade e devem permanecer na clandestinidade...

Ricardo António Alves disse...

É um facto.