segunda-feira, novembro 20, 2017

no LEFFest #6

Um Homem Íntegro, de Mohamad Rasoulof (Irão, 2017). «Selecção oficial -- Em competição». Alguma coisa vai mudando lentamente no Irão para que se nos apresente com um filme tão subversivo como este. Da corrupção à religião, nada lhe escapa. Filme que vem de uma das cinematografias mais interessantes e estimulantes  com que tenho contactado. Tomara o pífio cinema português, que, com as honrosas excepções, oscila entre a alarvidade atávica e o onanismo especioso, muito masturbado pela imprensa arty e tontinha (vá, também com excepções) -- quem me dera que o pífio cinema português, repete-se, a séculos luz do cinema do Irão, pudesse aprender qualquer coisa com ele. 

no LEFFest #5

Lucky, de John Carroll Lynch (EUA, 2017). «Selecção oficial -- Em competição». "E diante do nada, que fazemos? Sorrimos..." Escrito a pensar em Harry Dean Stanton, que já não o viu.

no LEFFest #4

Western, de Valeska Grisebach (Alemanha, Áustria e Bulgária, 2017). «Selecção oficial -- Em competição.» Exercício interessante a propósito do choque de culturas e de mentalidade: o estrangeiro, outro, no seio aldeão, fechado e desconfiado.

domingo, novembro 19, 2017

no LEFFest #3

O Dia Seguinte, de Hong Sang-Soo (Coreia, 2017). «Selecção oficial -- Em competição». Ou Bergman no Extremo Oriente. Óptima direcção de actores e excelentes pormenores de realização.

no LEFFest #2

Loulou, de Maurice Pialat (França, 1980). «Homegam -- Isabelle Huppert». "Loulou" (Depardieu), apenas porque se tornou na vertigem de "Nelly" (Huppert, incandescente), personagem central deste filme.

no LEFFest #1

Noutro País, de Hong Sang-Soo (Coreia e França, 2012). «Homenagem -- Isabelle Huppert». Ideia bem sacada, mas nem nem Huppert, «actriz de mestria ilimitada», nas palavras de Susan Sontag, ou o final poético chegam para salvar um argumento que se enreda e tropeça, 

sábado, novembro 18, 2017

quinta-feira, novembro 16, 2017

estampa CCLXXI - [atribuído a] Leonardo da Vinci


Salvator Mundi (c. 1490-1519)
(colecção particular)

Arrematada ontem, em Nova Iorque, por 381,6 milhões de euros, esta cifra é para mim irrelevante: se de Leonardo, esta pintura não tem preço, por isso tanto monta dar por ela 381 euros ou 381 mil milhões; se de Leonardo, o seu valor não tem preço. Epítome do génio humano, Leonardo é um dentre as poucas centenas de verdadeiros imortais, dos biliões de seres humanos que já viveram, por isso, tudo quanto saiu das suas mãos e do seu espírito  será sempre de valor inapreensível ao mercadejar dos leilões e dos coleccionadores.

Não sei se é ou não de Leonardo, a autoria está sujeita a discussão.  Para mim, leigo em história da arte, há dois dados que me parecem seguros: em primeiro lugar, trata-se de uma obra a muitos títulos magnífica; depois, afigurasse-me quase incontroverso que este Salvator Mundi não pode deixar de ter saído da sua oficina, dele só ou com os aprendizes.

E se eu fosse bilionário, caprichoso no gosto e no luxo de ter um Leonardo para contemplar em minha casa e mostrá-lo aos outros? Impossível pôr-me nesse lugar (nem mil, quanto mais bil...); porém uma aquisição como esta só faria sentido partilhando-a com a comunidade, doando-a ao país, com as devidas salvaguardas quanto à sua integridade e garantias de nunca ela ser passível de alienação. É preciso ter um ego transviado para guardar isto só para si.

quarta-feira, novembro 15, 2017

criadores & criatura

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Tibet, A, P. Duchateau e Chick Bill 

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terça-feira, novembro 14, 2017

50 discos: 37. SNAKES AND LADDERS (1980) - #5 «Look At The Moon»



sentir-se bem em sua pele

Garret era um extraordinário bon vivant; nada do que respeitasse aos prazeres da vida lhe era alheio, o que não o inibiu de alcandorar-se em figura de primeira grandeza na vida pública e cultural do seu tempo. O legado político e literário confronta bem com as fraquezas, ou fortalezas -- depende do ponto de vista --, de João Baptista da Silva Leitão. E é isso que o capítulo inicial das Viagens evidencia em cada frase. Atente-se no sumário do capítulo I:
«De como o autor deste erudito livro se resolveu a viajar na sua terra, depois de ter viajado no seu quarto; e como resolveu imortalizar-se escrevendo estas viagens. -- Parte para Santarém. -- Chega ao Terreira do Paço, embarca no vapor de Vila Nova; e o que aí lhe sucede. A Dedução Cronológica e a Baixa de Lisboa. -- Lord Byron e um bom charuto. -- Travam-se de razões os íhavos e os bordas-d'água: -- os da calça larga levam a melhor.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra [1846], Mem Martins, Publicações Europa-América, 1976, p. 9.

Todo o tom é optimista, gozoso e sadio: o prazer da partida, a literatura, a paisagem, a política, mesmo quando adversa, as pessoas, a coloquialidade e a ironia, os pequenos prazeres, o humor -- acima de tudo. O tom de alguém que agarrou a vida com as duas mãos, dela sabendo retirar recompensa estética e sensorial, permitida ou conquistada. É um estilo de alguém que se sente muito bem na sua pele.
 

segunda-feira, novembro 13, 2017

estampa CCLXX - Géza Faragó


Mulher com Gato (1913)

um país sem futuro

 Esta historieta do Panteão é acima de tudo reveladora da indignidade dos círculos do poder (o passa-culpas grotesco governo-oposição);  é uma manifestação da desvergonha do nosso atraso e da nossa saloiice: qualquer  monumento, palácio, museu está sujeito a albergar um repasto, basta ter a carteira suficientemente recheada e gosto duvidoso.
"Web Summit", nada contra e, desde o início, nenhum interesse; os orgasmos analfabetos da imprensa, ainda me deixam a rosnar sozinho, mas cada vez ligo menos. (Qualquer dia desisto -- já estive mais longe --, e arranjo um Vale de Lobos à minha pobre medida.) Porém, em face dos deslumbramentos da semana passada -- alguns, certamente justificados -- lembrava-me da sala de concertos do Conservatório Nacional, entre outras coisas que não interessam a ninguém, nem sequer ao Menino Jesus, que renasce para o mês que vem: o património histórico ao abandono, dos castelos aos clássicos da nossa língua, que deveriam ter um programa em larga escala e competência editorial em edições acessíveis, a pensar em nós, portugueses, e naqueles a quem coube em sorte partilhar o nosso idioma. Nada, nada, nada -- zero.

Por falar em memória histórica, um programa excepcional de Fernando Rosas sobre o colonialismo português, é transmitido em horário envergonhado, na RTP2, à hora dos telejornais indigentes dos três canais. O desconhecimento da História não aproveita a ninguém; pelo contrário, é substituído pelo preconceito e pelas ideias feitas -- as mesmas que não nos permitiram assumir de frente a nossa história recente, deixando entregues a si próprios quantos combateram pelo "império" e serviram de carne para canhão, alimento de básicos interesses de dominação mascarados de nacionalismo transcendente. Uma vergonha nunca vem só.
Este alinhavar desencantado -- e exemplos não me faltam --, para dizer apenas a seguinte banalidade: um país que não valoriza a sua memória histórica, senão quando ela serve para propaganda e obtenção de votos, não é só um país indigno, é também um país sem futuro.

«Basta um Dia»

domingo, novembro 12, 2017

quinta-feira, novembro 09, 2017

uma carta de Ferreira de Castro

Parece que causou controvérsia a questão do adultério da protagonista de Terra Fria (1934) na então longínqua Padornelos. Ao contrário do que pode parecer, a paciência de Ferreira de Castro foi infinita, em face dos pundonores (provincianos) desgravados.
(aqui)

estampa CCLXVII - David Inshaw


Artista e Modelo (1994)